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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Cinema: Estreia 'Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros' cria biografia trash



Roteiro adapta obra de Seth Grahame-Smith sobre ex-presidente dos EUA. Filme mistura fatos históricos com queda para o terror e violência.

Filme mostra o ex-presidente como um caçador de vampiros do século 19 . Foto: Divulgação
Filme apresenta o ex-presidente como um caçador de vampiros. 
O filme nada mais é do que uma mistureba de fatos históricos com a mente delirante do autor, e sua queda para o terror e a ultraviolência. Uma tendência, chamada de mash-up classic, inaugurada pelo próprio autor com "Orgulho e Preconceito e Zumbis" (baseado no clássico de Jane Austen), na qual o vilarejo de Meryton convive, além das intrigas, com uma praga de mortos-vivos e a protagonista, Elizabeth Bennett, é treinada por um mestre shaolin para se tornar uma matadora de zumbis. 

Abraham Lincoln é apresentado no filme ainda criança, aos 9 anos, quando vê sua mãe ser vítima do vampiro Jack Barts (Marton Csokas). Quando adulto (aqui, interpretado por Benjamin Walker, de "A Conquista da Honra"), volta em busca de vingança, mas se dá mal nas mãos do vampiro e só não morre graças à ajuda do misterioso Henry Sturges (Dominic Cooper, de "O Dublê do Diabo").

Será Henry que revelará a Abe o mundo dos caçadores de vampiros, que acabará tomando para si após um rápido treinamento. Assim, o herói divide seu tempo entre o trabalho como balconista, as aulas de Direito e à matança dessas criaturas sobrenaturais.

Essa luta desperta a fúria do grande mestre vampiro Adam (Rufus Sewell, de "O Turista"), que planeja eliminar o rapaz por dois motivos. O primeiro é sua dedicação noturna de exterminar seu clã. O segundo é a postura ideológica do futuro presidente. Nessa sociedade vampiresca, totalmente integrada à sociedade norte-americana da época, os escravos, na verdade, são alimento e qualquer levante abolicionista é uma ameaça.

O fato é que Grahame-Smith não esmiúça esse conflito, iniciado quando o protagonista tinha pouco mais de 20 anos. A história, a saber, salta mais uma vez, à revelia do entendimento do público, para o um Lincoln já presidente e cinquentão e em meio à Guerra Civil que dividiu os Estados Unidos entre a aristocracia rural e escravagista do sul e a burguesia industrial do norte. Os vampiros, claro, armam um exército para lutar pelos ideais do Sul.

O Abraham Lincoln de Grahame-Smith não é menos virtuoso do que o original. Sobreviveu à guerra, às intrigas de Estado e, agora, aos vampiros. Embora o assassino John Wilkes Booth tenha tirado sua vida, ele paira acima de tudo isso como uma personalidade verdadeiramente imortal.

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